Porque o Amazon Kindle é assustador

Serdar Yegulalp - Amazon’s Kindle May Not Be About Books Alone:

…it’s a portable vending machine for syndicated content and EVDO access. And if it works, it might hint at a new way to sell high-speed wireless access to the Internet as a whole, albeit in a heavily closed-ended way

In a heavily closed-ended way é uma frase que não deveria estar associada ao novo leitor de ebooks da Amazon.

A mesma Amazon que acertou em cheio com a sua loja de música online, que comercializa mp3s sem DRM para ser reproduzido por qualquer mp3 player, lançou o um leitor de ebooks com uma série de características e funcionalidades interessantes. Mas é proprietário e fechado.

O engraçado é que o Kindle contradiz o que o Jeff Bezos (CEO da Amazon) disse na carta endereçada ao Author’s Guild, em 2002.

O que é assustador é que a fatia do mercado enorme e o grande apreço por parte de seus usuários devem favorecer a Amazon na comercialização do Kindle e que, ao mesmo tempo de ser claro para muitos as restrições a liberdade do usuário — que, em última instância, é o dono do livro que comprou — vai ser visto apenas como um gadget interessante.

E enquanto isso, coisas bacanas como o Projeto Gutemberg ou os Wikibooks, ambos projetos hospedando uma quantidade bastante considerável de ebooks livres de controle, passam despercebidos.

Como sugestão de leitura, faço referência a dois textos do Mark Pilgrim, um recente e um de 6 anos atrás. Repare como o texto de 6 anos atrás é extremamente atual. Não é à toa que o blog dele é um dos meus favoritos.

Em tempo: Ao citar textos em inglês, devo deixar o texto original (o que eu, a princípio, acho correto) ou traduzir?


Comentário de Ronaldo - 21.11.07 @ 21h19 #

Até o momento, todos leitores de e-books foram uma decepção. Eu tenho a maior vontade de ter um dispositivo legal porque leio muito no computador, mas já basta o DRM nativo dos formatos. DRM sobre DRM é algo que não vai rolar mesmo. Enquanto isso, eu vou dando uma de Cory Doctorow. Ainda bem que estamos no Brasil.

Quanto às citações, eu prefiro em inglês mesmo. Traduções são meio estranhas se você depois vai no texto original.

Em tempo, sete drafts! A próxima vez que eu lhe vir, mato. :-)

Comentário de Luiz Rocha - 23.11.07 @ 18h02 #

Um aparelho decente talvez me motivasse a ler mais livros em formato eletrônico ao invés de viver consumindo árvores mortas. Mas só quando essa loucura de DRM acabar. Já basta ter que lidar com isso em música e filmes.

Quanto às citações, como parece que você é o único que lê o que eu escrevo, vou seguir essa linha mesmo. ;-)

Em tempo, sete drafts! A próxima vez que eu lhe vir, mato. :-)

Nada fica entre mim e meus ataques editoriais! Nada!

Comentário de Sergio F. Lima - 24.11.07 @ 20h37 #

Opa Luis!

Eu, particularmente não gosto de dispositivos dedicados, portanto este ou qualquer outro leitor de e-livros não me interessam… com drm então, me aborrecem ;-)

Sobre sua pergunta, pense em acessibilidade! Ofereça as duas opções (original e sua versão) e atinja mais leitores!

Comentário de Luiz Rocha - 25.11.07 @ 09h41 #

Não tenho nada contra dispositivos dedicados, mas tenho muito contra DRM. :-)

Acho até que, para livros que ficam desatualizados muito rapidamente — como livros técnicos, por exemplo — a versão eletrônica seja até mais adequada, em termos de consumir menos recursos naturais.

Quanto as citações, é uma idéia. Vou fazer assim da próxima vez para ver se gosto do resultado.

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