Desenvolvedores livres
Fábio Terracini - Adobe Flex é Open Source! E agora?
Pode parecer uma abordagem estranha. Será que a Adobe não deveria conquistar as empresas? Sim, é claro que deveria, e o potencial da ferramenta, cases e estatísticas já o fazem. Mas são os desenvolvedores que efetivamente transformam todo esse potencial em softwares de verdade.
Devagar, sem pressa, todo mundo absorve a idéia de que a Terra orbita o Sol.
Não me entendam mal. Leio o CFGigolô pq eu gosto mesmo do que o Terracini escreve e pq o Alex é meu amigo pessoal a mais de uma década. Mas como diversos outros desenvolvedores que usam tecnologia fechada — e com o agravante de que ambos, Fábio e Alex, são membros ativos de sua comunidade — eles demoraram, ao meu ver, para entender o porque aqueles de desenvolvem usando software livre tanto exclamam isso como vantagem.
Um desenvolvedor precisa ter acesso a tecnologia que ele usa para desenvolver. Isso fica mascarado para quem é ativo em sua comunidade cuja tecnologia é fechada, por estar bem mais próximo da mesma que o desenvolvedor comum.
Os reflexos dessa abertura para o Flex vão aparecer quando começarem a aparecer gente nova na comunidade, desenvolvedores que resolveram mexer com o core do Flex e não apenas na aplicação da tecnologia. Novas idéias irão aparecer, mais conhecimento sobre a tecnologia será obtido. Mais rápido ela irá se desenvolver.
Mirem-se no exemplo do Ruby. Vc tem malucos escrevendo aplicações para ensinar Ruby para novos desenvolvedores, malucos desenvolvendo novas VMs, malucos desenvolvendo frameworks, ferramentas e etc. Espere isso de uma comunidade em torno de uma tecnologia aberta, não só um UG. Eu só vejo benefícios.
E claro, ter o código aberto facilita o desenvolvimento sustentável do Flex. Em outras palavras, será possível fazer um fork dele a qualquer momento, o que garante que a tecnologia perdure e amadureça independentemente da Adobe.
Não, isso não precisa acontecer, a Adobe pode ser um bom pai para o Flex por toda a sua vida, mas se um dia o sunset do Flex chegar e por algum motivo uma parte da comunidade quiser manter ele ainda, basta um fork. Wordpress e o b2evolution são excelentes exemplos de como um fork pode ser excelente para manter viva um software.
Poderia também falar que, em se tratando de softwares livres, todo usuário também é um desenvolvedor, mas o texto já se alongou demais. Na verdade, tudo que escrevi poderia ser reduzido em um dos parágrafos do Fábio:
É errado achar que apenas o mercado determina a popularização de uma tecnologia. Os desenvolvedores também tem seu papel. São eles serão seduzidos pela tecnologia. Eles que formarão uma base de desenvolvedores para que uma empresa sinta-se confortável em usar algo (e não ficar na mão depois). Eles que terão que aprender algo novo. Eles podem transformar algo novo e diferente em algo fácil e produtivo.
Enfim, é uma boa notícia. Não o Flex virar open source. Mesmo pq, pelo que eu entendi, não vai ser 100% open de início. É uma boa notícia saber que gente como o Fábio e o Alex agora são desenvolvedores livres. Fico ansioso para encontrar o Alex, só para encher-lhe o saco.
Feed com os comentários desse post.

Comentário de Alex Hubner - 04.05.07 @ 20h15 #
Eu só espero não pegar uma aquelas doenças venéreas que atingem os “desenvolvedores livres” de vez enquando, em especial a “soberba” e a “paranóia”.
A soberba em achar que o que é livre é melhor, como regra geral (e isso tb. vale para o “duelo” desenvolvedor livre vs. a restalha). A paranóia, de que software proprietário é sinônimo de Microsoft ou qq. outra empresa com práticas questionáveis (hei! IBM tb.!!). Em suma, quero sempre saber e continuar crendo piamente que existe vida proprietária fora da MS!! A Adobe é uma delas…
Mas eu queria mesmo era que o meu querido Adobe ColdFusion fosse livre. Bem, ao menos a sintaxe CFML é. Basta ver os inúmeros sabores (não são exatamente forks, mas vá lá) que tem surgido por aí - http://pt.wikipedia.org/wiki/ColdFusion.
O último deles: http://www.smithproject.org/ (que vai ser aberto - anunciado há poucos meses).
PS: você tá mais velho do que pensa. Somos coleguinhas desde a quinta série, e isso foi em 1988, ou seja, quase DUAS décadas…
Comentário de Fabio Terracini - 04.05.07 @ 20h49 #
Luis,
Realmente o Flex não será 100% open source, algumas bibliotecas (como a core do Flash Player e código de terceiros), o Flex Builder (a IDE), entre outros ainda permanecerão fechados. Os principais, no meu ver, que são o SDK e os compiladores serão abertos. Mais do que isso, a própria Adobe disponibilizará recursos para a comunidade (builds diários, acesso ao repositório, contribuidores externos, etc).
Envolvimento aqui é a palavra chave. E é bonito de se ver como a Adobe, uma empresa essencialmente “designer”, está seduzindo o “programador” - e isso não se restringe ao mérito técnico.
Eu já acreditava no papel do desenvolvedor e no potencial dele decidir sobre uma tecnologia, mas não acho que algo precise ser aberto para ser bom. Algo pode ser proprietário e também ser bom - e há membros da comunidade open source que parecem não aceitar isso. Além do que, há espaço e demanda para todos no mercado.
Agradeço por seus comentários e por sua felicidade em nos ver livres!
[]s
Comentário de Luiz Rocha - 05.05.07 @ 16h36 #
Alex: A soberba não é condição sine qua non para ser desenvolvedor livre nem é restrito à esse grupo. É algo que tem muito mais a ver com a auto-imagem de uma pessoa e quão importante ela se considera.
Existem soberba em ambos os lados da cerca, por mais que as do lado de cá costumem ser mais vocais.
Já a paranóia, bem, eu tenho pensando muito sobre a questão do proprietário vs. aberto e estou cada vez mais pendendo para o lado histérico da coisa. Algumas das vozes na minha cabeça me dizem que essa preocupação, esse zelo com a liberdade e abertura da tecnologia ainda vai ser bastante justificável.
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Fabio: Vc tem razão. O envolvimento é a palavra-chave. Nesse aspecto, eu cada vez mais acredito ser necessário que a tecnologia seja aberta.
Uma tecnologia proprietária, por mais que a empresa seja liberal, ainda vai sofrer com o excesso de controle e a impossibilidade de derivação.
O oposto também é verdadeiro. Como o Karl Fogel expõe em seu livro, a grande maioria dos projetos de software livre morre muito cedo. É necessário que se estabeleça um controle mínimo para que o projeto siga a diante.
Nesse caso, a participação de uma empresa como a Adobe é interessante. Outro exemplo é a IBM no projeto Eclipse.
Mas o desenvolvedor precisa ser livre para que ele possa se envolver da maneira que mais lhe atrai. E para isso uma tecnologia precisa ser o mais aberto possível. Quanto mais melhor.
Agora, como eu sempre falo para o Alex, sempre haverão membros de qualquer coisa que jamais irão concordar com coisa nenhuma.
Independente de ser da comunidade do software livre ou não.
A questão é que o pessoal do SL é bem mais vocal quanto a suas opiniões.