Responsabilidade 2.0

Primeiramente, desculpas pelo título do post. Eu costumo ser péssimo para isso, mas hoje eu me superei.

Sob a luz do acontecido na “blogosfera” gringa, onde uma blogueira foi vitima de alguns abusos e o seu desenrolar, voltou à tona a velha discussão sobre quem é responsável pelo conteúdo publicado em websites. Em específico, blogs e sites pessoais, mas eu pretendo abrir um pouco o foco.

A alguns dias escrevi aqui sobre a questão de como as pessoas se expõem — voluntariamente — em sites como Orkut e em blogs. Nesse caso, a responsabilidade é obviamente da pessoa que se expõem.

O conteúdo dos posts desse website é de minha responsabilidade. Eu respondo pelo que escrevo aqui. Não é exatamente fácil lidar com isso. Se escrevesse sobre qualquer assunto que gere ódio ou seja explícito e ofensivo, seria responsável. Isso faz com que lide com um ponto muito delicado, a minha liberdade de expressão.

Eu sou livre para me expressar da maneira e da forma que eu quiser. Enquanto for livre, não posso ser silenciado, a não ser que por vontade própria.

Entretanto, eu sou integralmente responsável pela minha opinião, pela maneira e forma com a qual escolho expor a mesma para o mundo.

Em outras palavras, eu não posso ficar bravo e sair querendo processar quem quer que seja se eu não conseguir um emprego por ser contra a cota para afro-descendentes nas universidades. É a minha opinião, eu resolvi publicar ela e sou responsável pelas conseqüências disso. Integralmente.

E o que não foi minha opinião? Como, por exemplos, comentários do meu blog? Quem é responsável?

Se a tal da web 2.0 que tanto foi discutida tem mesmo como um dos seus direcionadores a colaboração, então temos um problema. Definir as fronteiras de responsabilidade entre o publicador de uma notícia, de uma matéria ou um post, e as responsabilidades daqueles que interagem com esse conteúdo.

Tim O’Reilly escreve sobre uma proposta a respeito de um código de conduta para blogueiros. Ele diz, e eu reproduzo aqui:

Yes, you own your own words. But you also own the tone that you allow on any blog or forum you control. Part of “owning your own words” is owning the effects of your behavior and the editorial voice you foster.

Em resumo (e traduzido livremente): Vc é dono das suas palavras e dos efeitos colaterais que o tom das mesmas gerar em seu site.

Novamente, é uma questão complexa e, sinceramente, eu não me julgo capacitado o suficiente para responder essa questão. Na balança coloco, de um lado, a liberdade de expressão e — no mundo moderno — de colaboração. No outro, a responsabilidade por suas palavras e atos.

Penso que, se por um lado sou a favor da liberdade de expressão, acredito e repudio o abuso dessa liberdade para fins idiotas, como agressões e abusos (como no caso que gerou a discussão na gringolândia).

Se por um lado existe o direito à liberdade, no outro existe a responsabilidade de cada um por manter o direito.

Enfim, não consigo chegar a uma resposta. Acredito que o exemplo do BlogHer dado no post do Tim O’Reilly seja um bom começo, Não consigo pensar, de bate-pronto, se sou contra ou a favor de bloquear comentários anônimos ou comentários em geral, restringindo a conversação entre pessoas com blogs, que possam trocar links entre si.

É algo que eu preciso pensar melhor a respeito.


Comentário de Sergio F. Lima - 06.04.07 @ 16h59 #

Opa Luis!

Eu sou contra a moderação prévia! Limita e restringe as conversações!

Há riscos nisto? Sim! Mas a essência da vida é correr riscos!

Não me parece sensato limitar as conversações por causa das excessões!

Mas isto é no meu blogue com baixa audiência!

Talvez, se eu tivesse 40 comentários em média por dia, repensasse este procedimento!

By the way…Boa Páscoa!

Comentário de Luiz Rocha - 08.04.07 @ 14h12 #

Sérgio: Eu não sou fã da idéia também, tanto que a única moderação que eu faço no meu blog é para evitar SPAM.

Concordo quando vc diz que as conversações não podem ser limitadas por causa das excessões.

Só que, por outro lado, fico pensando se — justamente por não haver restrições — as excessões não venham a se tornar regras. Os abusos de poucos (que normalmente são os mais vocais) não podem se sobressair as conversas de muitos.

Mas, como disse, é um assunto que eu julgo complicado e não sou capaz de encontrar uma resposta definitiva. Para mim, pessoalmente, vale o bom senso.

Pingback de Choque Futuro » LSDR.net - 11.04.07 @ 01h22 #

[…] E eu não considero tão trivial lidar com isso, tanto que recentemente andei me indagando a respeito. Mas no fim, após ler o draft do Tim O’Reilly e a (não tão surpreendente assim, vai gente) reação da blogosfera, vejo que vai ter muito discurso mas nenhum resultado efetivo. Como sempre. Essa é, afinal, a Web. […]

Comentário de leonardo - 18.07.09 @ 18h24 #

essas pessoas que são contra as cotas para negros e pardos,com certeza vierão de colégios particulares . Filhinhos de papais, criados no carpete,(riquinhos),que empinão pipa no ventilador e que não sabem a diferença entre a realidadee e umna opinião sem nexo digo isso porque as pessoas que usão das cotas são aquelas que não tiverão ensino de qualidade,portanto a cota é justa sim.as cotas poderão serem extintas quando nossos governantes garantirem um ensino digno ,no qual negros e pardos não prescisarem recorrer a essa opção, certo, dito, obrigado.

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