Modelando um negócio
A discussão mais quente do BarCamp SP foi, sem sombra de dúvida, a que girou ao redor do retorno financeiro das atividades na Web.
Em outras palavras, sobre a monetização de blogs, a criação de um modelo de negócio para sustentar atividades na Web — sejam start-ups ou atividades estabelecidas. O termo “modelo de negócio”, inclusive, foi bastante utilizado.
Não sou contra ninguém que quer ganhar sua vida da Internet. Quero dizer, contra ninguém que queira ganhar dinheiro na Internet sem obliterar a mesma. Ganhar dinheiro na web (em qualquer mercado, diga-se se passagem) deve ser uma atividade não destrutiva, o que IMHO invalida qualquer modelo dos anos 80 de “ganhar-dinheiro fácil”. SPAMmers, estou olhando para vcs.
Enfim, a questão do modelo de negócio é, na minha opinião, complicada. Muitas vezes é difícil dissociar um modelo de negócios de algum outro modelo, seja ele de desenvolvimento, operacional e/ou funcional, de alguma metodologia ou de uma hype.
E a web e o mundo digital trouxeram consigo uma série de alterações discretas ao mundo. A música já não é mais a mesma. Nem a divulgação de conteúdo. A música que está no meu Amarok agora não é um CD físico, e sim uma instância da faixa que estava no meu CD (eu ainda compro, sou aficcionado).
O mesmo vale para os diversos textos sobre o BarCamp que eu estou lendo agora. Não existe um “original” no senso comum da palavra. O dono desses posts os escreveram em uma ferramenta que armazenou uma representação eletrônica — bits mesmo — em um software de base de dados e, através de um servidor web e algumas linhas de código, disponibilizou o mesmo na internet.
O meu navegador foi lá e, após um pouco de magia transacional, disponibilizou no meu navegador uma instância dessa representação. Que é idêntica a original e pode, muito facilmente, ser reproduzia ad nauseum.
Parece pouca coisa, mas não é.
E isso muda a maneira com que temos que pensar o modelo de negócio a ser desenvolvido para que seja possível o retorno financeiro de atividades relacionadas a propagação de conteúdo via web.
Ficou um tanto claro para mim que ainda é necessário compreender o objeto do negócio de distribuição de conteúdo na web. O que é esse objeto e quais são suas propriedades, o que é possível e aceitável fazer com ele. Isso é questão fundamental no processo de modelagem de um negócio.
Entender do que se trata.
Alguns modelos citados durante as discussões reiteraram essa minha opinião. Ouvi sobre modelos de negócio significativamente bem resolvidos para negócios na web. Não solucões definitivas, mas o que eu pude entender deles, mostram um maior entendimento sobre o objeto com o qual eles lidam.
Já para os diversos jornalistas que estavam matutando lá para entender o modelo de negócio que pode viabilizar suas vidas profissionais no mundo da web, bem, acho que toda a discussão ajudou a refinar bastante a pergunta que eles precisam responder. Pelo menos para mim, ajudou.
Feed com os comentários desse post.

Comentário de Sergio F. Lima - 27.03.07 @ 22h52 #
Viajou! Mas consegui refinar minha pergunta!
[]’s
Comentário de Luiz Rocha - 28.03.07 @ 00h20 #
Viajar é a minha especialidade! É por isso que eu tenho uma categoria no meu blog que chama “devaneios”!
Pingback de Barcamp São Paulo - Barcamp Sampa - resumos e fotos do segundo (e ainda do primeiro) dia | Repositório - 29.03.07 @ 09h47 #
[…] Update: O Luis Rocha, do lsdr.net, fez mais um post sobre o evento, dessa vez fazendo um post curioso sobre a impressão que ele tem de modelos de negócio na web. O que mais gostei, e concordo com ele, foi a percepção de que a internet mudou os modelos de negócios tradicionais de uma forma que ainda não é possível para a maioria das pessoas definir, e parece ser por isso que tanta gente ainda não tem nem idéia do assunto, nem os próprios empreendedores. Com certeza, ainda há espaço para muitaaaa discussão sobre isso.Compare Preços de: , filmes, celulares, notebooks, câmeras, jogos, livros, viagens no Buscapé. […]
Comentário de Marcelo - 29.03.07 @ 09h56 #
“Alteraçõs discretas” resume bem o problema, eu acho. Discretas mas que mudam a essência da coisa. E tão discretas que as pessoas(eu inclusive) não conseguem entender como encaixá-la em um modelo de negócios. Abraços!