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TaQ - Falem mal, mas falem de mim:

“Mas hoje rola uma generalização muito grande em cima desse lado “enterprise” onde tudo tem que ser exagerado e caro. Quando aparece alguma coisa mais simples, a turma fica meio em polvorosa.”

Existe sim o péssimo costume de associar o valor financeiro com a confiabilidade da solução. Achar que um stack enorme, com duas ou três camadas de integração, servidor de aplicação a dar com pau e mais uma camada de apresentação complexa é uma solução mais confiável que uma aplicação simples.

E vencer esse preconceito é mais difícil que muitos imaginam, apesar de parecer uma piada de mal gosto.

Mas dizem por aí que toda piada tem um fundo verdade. Essa, infelizmente, não foge à regra.

Se por um lado as coisas mais simples muitas vezes são capazes de atingir a escalabilidade e confiabilidade necessária para as ditas aplicações corporativas, o próprio ambiente darwinista tecnológico da qual elas fazem parte é implacável e, às vezes, coisas bacanas caem no ostracismo corporativo, apesar de tudo.

Muitas empresas simplesmente não querem correr esse risco de apostar em coisas novas. Elas querem longevidade e estabilidade nas tecnologias que elas adotam. Por isso que essas empresas preferem comprar grandes stacks, acreditando que ao pagar caro por soluções complexas, mantidas por grandes empresas de TI, irá garantir a longevidade da tecnologia e — conseqüentemente — o emprego do tomador de decisões.

O bizarro é que algumas dessas tecnologias — exemplo, o COBOL — tem longevidade tão acentuada que hoje amarra completamente o parque de TI de diversas empresas.

E esse é o ponto infeliz. A única maneira de rebater essa idéia e comprovar que as soluções simples e elegantes, mesmo que novas e modernas, como Ruby (ou Linux), servem — e bem — para o mundo corporativo, é trabalhando para convencer que essas tecnologias são mais do que modismo e que a hype é só uma fase que antecede a consolidação da tecnologia.

Mais que isso, que as mudanças que acontecem de tempos em tempos no panorama da tecnologia é algo bom para o negócio, mesmo que a adoção de coisas novas por parte das empresas seja um pouco mais lenta.

Isso demanda exposição e tempo. Nesse período, qualquer tecnologia fica vulnerável a ataques e FUDs, como esse que o TaQ comentou.

A melhor maneira de defender o Ruby (ou qualquer outra tecnologia) é se valendo da máxima que o ESR cunhou a alguns anos atrás. Shut up and Show them the code.

Os ataques as novas tecnologias sempre vão acontecer. E sempre partirão de pessoas que, por algum motivo, sentem que essas novidades podem tirá-las de suas zonas de conforto. Isso é normal. Assim como é normal responder e rebater esses ataques.

Mas para obter penetração no mercado corporativo — o que não é ruim e isso precisa entrar na cabeça da comunidade em geral — e quebrar essa idéia bizarra de que tudo que é caro e exagerado é melhor, é necessário que a comunidade em volta dessas tecnologias se mobilize para demonstrar seus benefícios e sua sustentabilidade.


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© 2004 - 09, Luiz Rocha

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