LSDR.net Aleatoriedades por Luiz Rocha

Hora de rever conceitos

Depois de demorar cerca de 4 horas para me deslocar do Centro de São Paulo até a minha casa, sendo que os 45 minutos finais foram a pé, graças ao pânico que tomou a capital hoje à tarde, cheguei a conclusão que alguns conceitos precisam ser revistos.

Reparei, durante a caminhada, que muitos dos problemas do trânsito se deviam a pessoas cometendo infrações idiotas que, invariavelmente, causavam a lentidão — ou o bloqueio total — do fluxo de veículos. Inclusive o veículo infrator.

Será que nem em uma situação, digamos peculiar, como a dos últimos dias, as pessoas são capazes de se dar conta de que o maior problema de todos é essa atitude egoísta e auto-centrada de levar a vida? Ninguém tem um momento de iluminação para sacar que todos ali tem exatamente o mesmo objetivo, e o caminho mais fácil para atingir esse objetivo é a cooperação?

Sim, estamos vivendo um momento delicado, uma inversão de valores. Mas se nem quando realmente precisamos nós colaboramos uns com os outros, será que — de alguma forma — não somos responsáveis pelo que está acontecendo?

Claro, claro… Tem toda uma questão de política envolvida, mas não vou me ater a discutir se as interpretações dos direitos humanos em vigor são válidas ou não, muito menos discutir se os direitos humanos são aplicáveis para esses criminosos que hoje estão a solta. Não quero entrar nesse assunto agora. Estou com a cabeça quente e latejando de dor — consequência da minha caminhada sob o vento frio dessa segunda-feira. Se entrar nesse assunto, serei confundido com um neo-nazista altamente abrangente.

Mas e se, nesse mar de confusão e caos que é São Paulo, sua população passasse a pensar um pouco mais no todo ao invés de apenas pensar em si mesmo, será que as coisas não funcionariam melhor?

Tento simular mentalmente esse ambiente. Tento ver se, nessa simulação, as pessoas-de-prova se comportam um pouco melhor e a cultura inerente à essa sociedade simulada é um pouco menos mesquinha do que a que vivemos, e nesse ambiente de menor mesquinharia, a probabilidade de eventos como esse são menores.

Entretanto estou cansado demais e puto demais para terminar a simulação mental sem imaginar um Godzilla ou uma horda de zumbis devoradores de cérebros destruindo tudo.

Reluto em escrever isso, mas acho que os meus longínquos descendentes árabes tem razão. Se a gente cortasse fora as mãos de cada pessoa que atenta contra a sociedade (infratores em pânico inclusos), a coisa com certeza funcionaria melhor. A pena é que ela só funcionaria por causa do medo, mas isso já está acontecendo, não?

Certamente, o regresso ao lar seria mais rápido e menos complicado em uma situação peculiar como essa.


You Idiots! Pandora