Apple e Intel

A Apple decidiu migrar os processadores de seus computadores do PowerPC (PPC) da IBM para processadores da Intel (ainda não divulgados).

A nóticia não é exatamente nova. A Apple disponibiliza até o video da apresentação onde o Jobs faz o anúncio. O mundo inteiro já comentou sobre o assunto.

De todos os devaneios e previsões malucas feitas, fico com a do Cringely. O cara é foda. Erra bastante nas suas previsões, mas tem um bom faro para as loucuras do Jobs.

Mas - apesar de achar o artigo dele o melhor - não acredito na possibilidade de uma fusão. Mesmo que seja para destronar a Microsoft, como o Cringely sugere. Na verdade, sequer acho que vá ser ruim para o Linux, como o LinuxFUD sugere, mas entro nisso depois.

MERGE?

Não acredito na fusão por um simples motivo. Foco. Vamos pensar numa fusão recente e que, na minha opinião tem muita chance de sucesso: Adobe e Macromedia.

Qual é o foco das duas? Pense na fusão da Macromedia com a Allaire. Pense no foco. Sempre bate. Os produtos podem ser diferentes, os seguimentos de mercado também, mas são empresas de foco parecido (ou igual), cuja fusão vem para fortalecer. A união e maior do que a soma das partes.

Em se juntando à Intel, a Apple não vai ter mais do que a soma das partes e a Intel idem. Na minha visão, o foco das duas empresas, embora hajam intersecções, é bastante diferente.

A Apple é uma empresa muito mais voltada à computação pessoal e ao entretenimento digital. Ok, eles tem o XServe, mas os caros chefes da Apple são outros. O próprio Cringely tem um artigo muito bacana sobre o Mac Mini. A Apple vende música online e definiu o mercado de mp3 players com o iPod (quem já não ouviu repolhos chamando outros mp3 players de iPod? Já viu o iPod da Creative?). E o Quicktime? O melhor formato de streaming video, na minha opinião. Seus sistemas são todos (ou tentam ser) o mais user-friendly possíveis.

Já a Intel está num mercado muito diferente. São processadores, adaptadores, placas-mãe e mais uma phletora de produtos. Tudo hardware ou hardware-related.

A fusão iria criar uma complexidade enorme de operação e iria turvar o foco das duas empresas. Qual seria o foco? Hardware? Mídia digital?

Existem as intersecções. A Intel faz placas de rede e a Apple tem o sistema de AirPorts, com o sensacional Rendevouz. Complementares, óbvio. Não só essa, claro, mas é apenas um exemplo. Mas fico me perguntando, quem vai manter quem? Que modelo a empresa resultante dessa fusão vai adotar para gestionar um monstro corporativo cujas partes apontam para lados diferentes?

Iria a fusão funcionar no esquema de brands? Cada área seria uma brand, trabalhando com objetivos próprios e tratando outras brands da mesma corporação como "clientes internos"?

Nesse caso, acho que a burocracia iria matar a cultura de inovação e inventividade da Apple que, segundo o Cringely, é um dos motivos pelo qual a Intel iria querer a Apple em primeiro lugar. Além disso, se é para manter a separação entre brands tão diferentes, sem que uma suporte (e aí inclua a palavra "financeiramente") a outra, é melhor que se mantenham separadas e financeiramente independentes, trabalhando em parceiria.

Aliás é aí que eu vejo a grande tacada. Como parceiras, ambas se mantém suficientemente independentes para que o relacionamento das duas possa prosperar e ainda conseguem aplicar o golpe na Microsoft que o Cringely diz que seria uma das intenções do Jobs.

Claro que eu posso estar redondamente enganado. Pode ser que seja um merge mesmo e ele seja duca, mas não colocaria todas as minhas fichas nisso (algumas eu coloco pq o Jobs é foda).

E O LINUX?

Na maioria dos artigos publicados em sites pró-Linux em que se fala sobre o switch da Apple, sempre se cita que o Linux é um grande perdedor nessa aliança entre a Apple e a Intel.

Novamente, não acredito nisso. Na verdade, o Mac e o Linux irão batalhar com a Microsoft em campos de batalha diferente, e os dados que um irá causar ao outro nesse confronto será, ao meu ver, mínimo.

Apesar do Mac ter um núcleo baseado no maravilhoso FreeBSD, que quer Mac, o quer pq ele é fofinho e intuitivo. O mesmo se aplica para o Linux. Embora ele seja muito fácil de deixar fofinho, que o procura está quase sempre atrás de um sistema robusto, seguro e barato.

Talvez tenha uma fração de usuários que saiam do Linux para o Mac sim, mas acho que a maioria vai sair do Windows.

Posso estar errado de novo, mas no fim acredito que essa migração da Apple dos processadores PPC para os x86 vai ser muito bacana para o Linux.

Em tempo: uma tirinha do Joy of Tech é um tanto quanto brilhante.


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© 2004 - 09, Luiz Rocha

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