Cotas para Negros na USP
Ontem fui caminhar na USP. Precisava ir no Banespa e resolvi ir no da USP para aproveitar e dar uma caminhada e quebrar um pouco o meu sedentarismo. Quando chegava perto da agência, encontrei uma grande caminhada a favor das cotas para negros e pardos na USP. Me deram um panfleto. E se não me dessem o panfleto, eu pediria. É um panfletinho defendendo essa idéia de cotas, com algumas estatísticas e tal.
Algumas coisas nesse panfleto e que os puxadores incentivando a multidão a cantar me fizeram lembrar como eu sou contra essa iniciativa. Ter vagas para deficientes, por exemplo, eu apoio. Se fosse incentivos para a inclusão de camadas mais desfavoreciadas da população também. Mas não cotas para negros e pardos. E porquê? Simples, eu não vejo como a cor da pele de uma pessoa influência na sua capacidade. Não acho que devam existir vagas extras numa faculdade para negros e pardos pela sua cor, única e exclusivamente. Isso é segregação racial. Não importa se são os negros e pardos que estão pedindo por isso. É segregação.
Qual será próximo passo? Vagas em estacionamento para negros e pardos? Banheiros separados para negros e pardos? Estamos fazendo o caminho contrário da África do Sul com o seu Apartheid. O próximo passo serão campos de concentração? Ok, a escala é bem menor, mas o erro é, fundamentalmente, o mesmo.
O que se pode dizer é que, existem menos negros e pardos nas universidades públicas por questões socio-econômicas. Segundo o panfleto, 80% dos alunos da USP é branco e apenas 10% é pardo/negro. É sabido que a maior parte da população carente é negra/parda, e os motivos disso vem de longe, lá da época da escravidão. E sabe o motivo pelo qual negros/pardos nao obtiveram igualdade social nesses últimos 200 anos? Segregação. Por causa da cor de suas peles. Como, então, será possível obter igualdade se valendo da arma que gerou a desigualdade?
Não sou a favor de cotas para nada, aliás. Sou a favor da meritocracia, mesmo quando sou excluido por causa disso. Acredito que a educação é simplesmente a base de tudo. Tudo. Sou, portanto, a favor de qualquer iniciativa para difundir o conhecimento. Acho sim que deveria haver um esforço maior da sociedade para valorizar o saber e o conhecimento. Deveria haver caminhadas como essas em zonas habitadas por pessoas carentes para conscientizar pais e filhos da importância da educação e para coibir o vandalismo nas escolas públicas. Deveria haver a valorização daqueles que passam o conhecimento, os professores, os educadores. E sobretudo, exigir do governo uma educação pública decente. Pedir pela criação de sistemas educacionais mais justos, julgando a qualidade da formação do aluno como um todo e não apenas o conhecimento quantitativo.
Segregação não é, e nunca foi, solução para nada. Se as cotas se espalharem pelas instituições educacionais, a capacidade de negros e pardas será questionada. Seriam eles inteligentes, ou apenas tem diplomas por serem negros? E se esses alunos não conseguirem sequer se formar? Seria um disperdício de dinheiro público? Eu tenho um grande amigo que é negro. E ele é muito mais inteligente do que eu poderia jamais ser. E ficaria completamente passado se sua inteligencia fosse julgada pela sua cor e não seus feitos e capacidades.
Educação adequada é a solução. Segregação jamais. Com a melhoria da educação, e a conscientização de que o conhecimento é o único caminho, aí sim, talvez tenhamos mais negros e pardos nas universidades. Aliás, é só com educação que será possível quebrar a idéia de que negros, pardos, amarelos, vermelhos e brancos sejam diferentes. Sejam povos diferentes. Porque não o são.
Pingback de Responsabilidade 2.0 » LSDR.net - 29.11.07 @ 23h43 #
[…] ficar bravo e sair querendo processar quem quer que seja se eu não conseguir um emprego por ser contra a cota para afro-descendentes nas universidades. É a minha opinião, eu resolvi publicar ela e sou responsável pelas conseqüências disso. […]